Archive for the 'VW Brasilia 1600' Category



Tambor de freio

Durante o terceiro dia da viagem de Portugal pra Viena senti uma vibração estranha ao freiar o carro. Em alta velocidade não sentia, mas ao parar ficava evidente que algo não estava muito certo. O sintoma esse: ao parar, o carro vibrava, o pedal de freio pulsava. O volante permanecia reto.

A causa do problema era desconhecida, mas desconfiava do tambor de freio empenado. O primeiro teste que se faz numa condição como essa é, numa rua segura sem ninguém dirigindo atrás, puxar o freio de mão e sentir se o efeito é o mesmo. Fiz isso, e não senti porra nenhuma. Ou seja, o problema não é atrás?! Como pode?

Meu pai e eu botamos o carro em cavaletes, porém primeiramente prendendo uma roda traseira. Depois acelera e freia ao mesmo tempo. Como o freio se comporta? Do mesmo jeito que quando se anda. O carro inteiro chacoalhou quando fizemos isso com a roda traseira esquerda. Ou seja, o problema só pode ser o diabo do tambor empenado.

Existem duas soluçoes possíveis para esse problema. A primeira é a troca da peça. A segunda é o reparo do tambor, dando um passe.

O reparo é complicado. Precisa dar um passe no torno e dependendo da ovalização, não tem muito o que fazer. Além disso, se aumenta muito o diâmetro e assim as pastilhas nao casam mais com o tambor. Outro problema é na execução, porque se não centraliza muito bem, ferrou tudo de vez. Tem que ser um torneiro muito caprichoso pra fazer o negócio certinho. E fora o custo aqui na Áustria de um negócio desse. Não sairia barato por aqui, com o custo da mão de obra tão alto.

A troca é simples, né?

Não quando se trata de uma Brasilia em Viena. Onde se acha uma porra de peça dessa? Passei alguns dias pesquisando se existe algum carro por aqui com o mesmo tambor. Fusca nao usa, Karmann-Ghia nao usa, Kombi não usa, Golf I não usa. Puta merda, pensei. Vou ter que mandar trazer do Brasil.

Daí pensei, que carros a VW fabricou aqui por volta de 1965-1975? Além daqueles que eu listei, tinham os Typ3 e Typ4 Variant. Eram os VW médios da época pré-passat. Aqui alguns exemplares:

typ4variant

typ4

typ3

 

São veículos raros até aqui. São os 1600 daqui, parente do VW 1600 brasileiro (Zé do caixão). Já vi um ou outro nos encontros de Fuscas daqui, mas tem muito mais Kombi, Karmanns, Buggys e etc do que esses Typ3/4. Por isso também é mais difícil achar peças pra esses carros.

Por fim descobri que o tambor de freio desses carros é exatamente o mesmo da Brasilia. Eles tem o mesmo diâmetro interno (248 mm) e tem a mesma furação 4 x 130. E achei uma loja que vende peças pra esse carro na Alemanha. O custo, de 62 euros, é OK. No Brasil é bem mais barato, mas eu preciso disso rápido.

A peça chegou, testamos, funcionou. Está ótimo!

Aqui o link para a peça: http://shop.bugwelder.com/fahrzeugauswahl/vw-typ-3-62-73/bremsanlage/bremse-hinterachse/bremstrommel-hinten-vw-typ-3-ab-66-vw-411-412.html

Aqui o link para a loja: http://shop.bugwelder.com/

Aqui o bicho:

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Motor de arranque

A primeira doença da Leopoldina foi no motor de arranque. O diacho do treco nos deixou na mão na Espanha, e não corrigimos o problema até em casa.

Ao chegar em casa e desmontar a peça, me pareceu que o problema estava na chave magnética (solenóide) que fica sobre o motor. Ela é responsável por puxar o bendix e atracar a catraca no volante do motor. A solução mais simples é trocar o motor de arranque inteiro. São 3 parafusos e um cabo de encaixar.

A peça original restaurada custa €150, a original nova Bosch €220, a Xingling €60. Comprei a Xingling, porque é o tipo de coisa que se parar de funcionar, sempre se dá um jeito empurrando. A peça, de qualquer forma, tem um excelente aspecto. Não posso reclamar da qualidade até agora e pelo uso do carro, vai durar por muitos e muitos anos.

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Murtosa – Viena: Vídeo

Aqui o vídeo que ilustra a nossa viagem de Portugal a Viena de Brasilia, trazendo a Leopoldina pra nova casa dela!

Valeu, Tiago pela filmagem e edição!

 

Preparativos da jornada Murtosa – Viena : a Rota

A viagem da Leopoldina conosco (Domingos, Tiago e eu) começa na segunda-feira dia 09/06/2014. Um dia antes, no domingo, iremos Tiago e eu de Bratislava pro Porto. Chegaremos a noite e partiremos cedo dia seguinte.

No primeiro dia, segunda-feira, tentaremos ir de Murtosa-PT a Zaragoza-ES. Serão 800 km. Boa parte do trajeto será sobre rodovias.

Ao final do primeiro dia iremos definir o ritmo. A vinda pra Viena vai depender deste primeiro dia e dos 800 km. Se for muito ou pouco, vamos decidir se firmaremos a idéia dos 800 km ou se reduziremos ou aumentaremos este valor.

Planejamos no segundo dia seguir até em torno de Marseille-FR (800 km).

No terceiro dia, passando por Monaco vamos até Trento-IT (800 km).

No quarto dia, de Trento até Viena-AT (650 km).

Serão aproximadamente 3.000 km. Aproximadamente 250 litros de gasolina, aproximadamente 40 horas dentro do carro em 4 dias. Será um tremendo prazer viver esses 4 dias em boa companhia. Só vai faltar a minha querida Lígia, que irá conhecer a Leopoldina apenas quando chegarmos em Viena.

A premissa da nossa viagem será chegar seguro em Viena, respeitando os limites nossos e do carro

Rota

Finalmente… Leopoldina!

Segunda-feira, 31 de março de 2014, Albergaria-a-Velha, Portugal

O Rui, mecânico de confiança do Domingos, havia nos passado a informação de que a Brasilia estava num stand a venda. Até aí, só alegria. Procuramos o nome do stand na internet. Achamos e fomos ao lugar…. o problema, havíamos entendido errado. Chegando lá, no stand errado, nada de Brasilia, nada de Rui. Ligamos denovo, e o diálogo foi mais ou menos esse:

 

 

Tiago: – Rui, estamos aqui no stand X (esqueci o nome)

Rui: – Tiago, não é aí. O carro está na Emiauto, na reta da Albgria!

T: – Na reta da Alegria? Que número?

R: – Não, na reta da Albgria!

T: – Então, Alegria!

R: – Não, da Albgria!

T: – Ah tá. Bom… Vou ver se a gente acha aqui.

R: – Tá bem, tá bem, tá bem.

Enquanto isso, eu procurando a maldita Rua da Alegria em algum lugar em Portugal no GPS. Infelizmente não era na reta da Alegria. O que estava querendo ser dito era que a venda de automóveis ficava na estrada Nacional 1, chegando em Albergaria-a-Velha (Albgria segundo os portugueses).

Enfim, depois de perguntar nas ruas achamos a Emiauto:

Emiauto

 

Lá achamos a Leopoldina e o Sr. Valdemar, o vendedor. A primeira impressão: p*** q** p****! Tem que ser essa! Linda, vinho metálico, brilhando. Deveria estar um tempinho – talvez um ano – a venda. E na minha opinião só não foi vendida porque não havia anúncio na internet dela. O Sr. Valdemar é um senhor tranquilo, que deve passar o dia em seu escritório fumando, esperando os 2 clientes que vão procurar carros por lá diariamente. Ele nos tratou bastante bem, e foi o tempo todo justo e correto, algo nem sempre comum para vendedores de carros.

A primeira coisa que fiz foi verificar o carro por fora. Procurei sinal de ferrugem e batidas. Não achei nada grave. O carro parecia ter sido pintado com capricho, tiveram cuidado com as etiquetas ainda originais. As rodas, crumadas, não são originais, mas parecem ser da época ou pelo menos combinam com o carro. Frisos cromados decoram as janelas, capô, e friso sob a porta. Na traseira um P cromado de „Portugal“. O interior está impecável. O painel foi em parte pintado de preto, mas está bonito também. O odômetro mostra 41.000 km, o que pode significar 41.000, 141.000, 241.000 ou nenhuma das alternativas acima. Não quer dizer nada mesmo. Mecanicamente uma coisa me incomodou: o motor. Ele não tinha um aspecto bom: vazamento de óleo (pingado no chão – o que quer dizer duas coisas: a primeira é que está vazando, e a segunda é que tem óleo dentro: um bom sinal). O bloco do motor também foi pintado na cor do carro, desnecessário, mas demonstra que foi restaurado com capricho. Quem o restaurou não poupou recursos.

O motor, ao colocar uma bateria extra, ligou na segunda tentativa. Na queima saiu uma fumacinha cinza. Isso pode acontecer com motores boxer sem significar muita coisa grave. Os cilindros ficam deitados, e por ter ficado parado um tempo, pode ter minado óleo pelos anéis. A marcha lenta do carro ficou estável, um som bonito. O motor significava para mim que poderia gerar gastos extras, mas por outro lado era ali que iria argumentar uma oferta abaixo do que estava sendo cobrado: €7.500. E foi o que fiz: ofertei com total sinceridade o que eu achava um valor justo pro carro; €5.000. O Sr. Valdemar fez cara de que não gostou, a impressão que ficou foi que eu acertei o valor mínimo que ele aceitaria em um negócio, ou seja, ele fecharia por €5.000, mas tentaria tirar o que dava. A contra-oferta dele foi €6.000. Falei que tinha uma outra Brasilia em vista por €3.000-€3.500, e o Rui confirmou a informação. Fiz uma última oferta: caso ele faça a vistoria pendente (inspeção), pagaria €5.200, mas esta era minha última oferta. Era pegar ou largar, pois estavamos indo embora naquele dia de volta pra Viena. E ele aceitou! A Leopoldina era nossa!

Assim que fechei negócio, mandei uma foto pra Lígia. Imediatamente ela adotou a Leopoldina pra família.

Acertamos os detalhes da transferência: o carro ficaria no nome do Tiago, que como português, simplificaria tudo. Em outras palavras, o Tiago seria o marido, e eu o amante. A Leopoldina estaria esperando o visto para tirar o passaporte austríaco e poder morar em Viena.

Aqui as fotos da primeira vista:

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Detalhe para a altura do carro:

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O „I“ típico na frente, ainda bem conservado

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Estofamento parece ser original. O encosto de cabeça era item que para esse ano não tinha no Brasil, mas por ser presente em muitas Brasilias portuguesas disconfio que se trate de um opcional para os veículos com qualidade de exportação:

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Óleo pingado no chão:

 

 

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Vendo assim, nada alarmante no motor, mas os pingos e a fumaça poderiam significar o contrário:

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O próximo passo seria esperar o Domingos, ainda no Brasil, retornar a Portugal. Não tenho palavras pra agradecer o carinho que ele tem tido comigo, em tomar conta do carro, testá-lo e levá-lo pro mecânico, etc. Realmente incrível. Não é todo dia que se encontra pessoas com tal boa vontade. Espero poder retribuir ou demonstrar de alguma forma minha gratidão.

O Domingos, ao chegar em Portugal, foi quase que imediatamente ver e pegar o carro. Ele fez o seguro,  o Sr. Valdemar já havia feito, conforme combinado, a vistoria (inspeção) e era só pagar o que faltava e levar o carro para casa.

Assim foi feito. Domingos levou o carro para casa em Murtosa e ficou no aguardo do Rui para poder levá-lo para a oficina. Enquanto o Rui não ligava, ficaram a Leopoldina e o Azeitona (tema pra outro post) trocando idéia na garagem. Fantástico!

 

Clássicos Nacionais – Jornal Extra

Já que no post anterior falei de miniaturas, aqui está a minha coleção preferida: a dos carrinhos do extra. São 36 carrinhos que foram importantes para a história automobilistica brasileira, divididas em três partes.

A primeira é esta aqui:

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A segunda:

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E a terceira:

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Claro que a minha miniatura preferida é:

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Aqui em casa a coleçäo fica assim:

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Porque VW Brasilia?

„Cara, você é doido. Comprar um carro velho, ainda mais uma Brasilia aí em Viena. Porque?“

Porque eu gosto.

 

Não há explicação razoável para uma escolha do coração, mas existem fatos que reforçam esse gostar e acabam deixando tudo mais interessante. Acho legal que a Brasilia foi desenhada, projetada e construída no Brasil. Um carro inovador (o primeiro „hatch“ da VW, talvez um dos primeiros no mundo – tema para outro post), um grande passo de desenvolvimento para a VW sair da era Fusca para outro „design“. E isso tudo numa época em que o Brasil estava bastante fechado para importaçoes de materiais e tecnologia externa.

Acho também muito legal a Brasilia usar, em grande parte, peças de Fusca. Isso fez da Brasilia um sucesso imediato no Brasil. Um carro robusto, com o confiável e charmoso motor refrigerado a ar da VW.

Do ponto de vista pessoal, é interessante também que meu avô Ludwig Wagner tenha comprado no Rio de Janeiro uma Brasilia 1976 marrom caramelo (tema para outro post). Ele comprou o carro zero km, sem nunca ter passado pela cabeça que seu neto iria algum dia passear com um carro igual em sua cidade natal.

Outro fator que pesou bastante, foi o fato de eu gostar de trabalhar com as mãos. Ligar o cérebro à mente liberta a alma. Seja bicicleta, moto, relógio cuco, reforma de apartamento, restaurar e reformar é para mim um excelente passatempo e diversão. O (bom) resultado é só uma parte da recompensa do esforço. Já se trabalha tanto pro rendimento de outros, o trabalho quando é pra si mesmo, é bem mais gratificante.


Klaus Wagner

Viena, Áustria

http://www.wagnerk.com