Archiv für August 2014

E o Rio de Janeiro continua lindo

Nova decoração na garagem, um pôster que recebi de presente do meu primo Felipe a um tempo atrás.

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Austríacos

Viena é uma cidade maravilhosa. É um imenso prazer morar por aqui. A estrutura é impecável, sob todos os aspectos. Quem reclama de morar aqui, na verdade reclama de barriga cheia. E isso é gracas a algumas caracteristicas do vienense: o rigor, a excessiva exigência de si e de todos, a correcao, a honestidade. É muita forca de vontade para que tudo funcione. E nao adianta estar bom, tem que estar perfeito. E se nao estiver perfeito, se vira, rapá! O resultado disso é um mundo que funciona, mas pessoas rancorosas, sempre dispostas a negar o bom e exigir o perfeito. O problema é que o perfeito é inatingível e só sobra frustracao.

A Leopoldina foi vítima deste azedume. O carro foi investigado por 2 horas no „Detran“ de Viena (Landesprüfstelle). O resultado foi bom, porém nao perfeito. Verificaram gases poluentes (coisa que eu imaginei que nao iriam fazer), freios, suspensao, motor, medidas diversas, interior, bancos…realmente tudo! Estava quase tudo certo. E este „quase“ foi quase por causa das rodas. Como havia contado num outro post, a Leopolda tinha rodas Interceptor, tamnho 6×15. Essas rodas nao possuem um tal de „Festigkeitsgutachten“, algo como certificado de resistencia mecânica. E sem o certificado, eu nao poderia fazer a legalizacao do carro.

Caminhos a seguir:

A-  Achar um certificado para as rodas Interceptor

B- Usar rodas originais VW de época, aceitas sem certificado

C- Achar outras rodas, com certificado

O caminho A se tornou difícil. Depois de muitos e-mails com diversas pessoas, cheguei a conclusao que esse caminho nao daria certo. Essas rodas foram vendidas na Áustria entre 88 e 93, e até foram permitidas rodar. A loja que vendia, infelizemente, se desfez de documentos mais antigos pois nao tinha mais serventia. O experiente Sr. Breinesberger com sua loja BiSS Tuning me disse isso.

O caminho B se desenhava o mais provável. Achar rodas VW era possível e depois de outros e-mails, havia a possibilidade de adquirir tais rodas. Um porém desse caminho eram os pneus novos recém adquiridos, que pelo seu tamanho exigem pelo menos largura de rodas de 5 polegadas. Entre 5 e 6 seria o ideal para nao ter de comprar mais 4 pneus novos.

O caminho C era OK, porém dependeria de sorte de achar, em um curto espaco de tempo, rodas apropriadas que suportam o peso da Leopoldina de 400 kg por roda (eixo traseiro), e ter em maos o certificado. Numa procura rápida no Willhaben.at achei rodas Lemmerz de 5,5 x 15 que serviriam. Iria compra-las se o vendedor nao tivesse cagado pra dentro: „preciso delas para uso próprio“. Porra, se quer pra uso próprio, porque coloca a venda? Mardito.

Procurando alternativas que pudessem usar os pneus já comprados, tentei achar rodas novas esportivas que pudessem ser usadas. Achei rodas ATS Classic de 5,5×15, porém essas rodas suportam 380kg, impróprias pra Brasilia por 20 kg. Sacanagem! Outras rodas vendidas online suportam o peso, mas nao tem o tal certificado.

Até que achei um anúncio de um simpático senhor de uma pequena cidade ao norte de Viena, perto de Laa an der Thaya. Nao titubeei e fui atrás. Liguei, marcamos e fui la ver as rodas, eventualmente comprar. Eram rodas – pasmem – da Mangels, made in…. BRASIL! Cromadas, bonitas, em bom estado. O certificado? O dono nao tinha, mas depois de alguma ajuda da cena VW a ar daqui (Sr. Lurger, Thomas Braun, Christian Janker) e do importador de rodas Mangels da época (firma Berger BCW, Sr. Baader) tive acesso a 3 certificados diferentes. Da Alemanha, da Áustria e do fabricante…. e suportam exatos 400 kg! Ou seja PERFEITO! Vou satisfazer o ego do pessoal do Detran e provar que a Leopoldina nao está boa, e sim perfeita!

Carro made in Brasil, rodas made in Brasil. Melhor impossível! Agora é só vender as rodas Interceptor… nem as queria mesmo 😛

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Sao rodas no tamanho 6×15, modelo RT-1560413.

 

Fotos com novas rodas

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Cor

A cor da Brasilia, pra quem entende, percebe logo nao ser a cor original. A Leopoldina foi recauchutada uns anos atrás (pelo menos 10 anos) e foi pintada com a cor VW-Audi-Skoda LC3Z (Terracotta).

Foi uma cor usada pela VW-Audi nos anos 90 em Golf II, Passat, Felicia, etc.

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Chapinha redonda com o „I“

Não sei se já repararam, mas na frente da Leopoldina, no lado do motorista, existe uma plaquinha azul com um I escrito.

Isento

Pesquisei muito o que isto significava ou significa e hoje achei a resposta: quer dizer ISENTO. Isento do pagamento do imposto, algo semelhante ao IPVA no Brasil ou ao Motorbezogene Versicherungssteuer na Áustria, conhecido em Portugal na época por selo de circulação.

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A Brasilia, tanto em Portugal como no Brasil, é um carro „ligeiro de uso misto“, ou seja, um utilitário, uma perua que com sua porta traseira, também pode ser usada para levar carga, pois tinha o banco traseiro rebatível. Por isso que ficou conhecida como A Brasilia e não O Brasilia.

Na verdade isto é só um truque para que o imposto na época seja reduzido. O porta malas da Leopoldina traseiro já está cheio pelo motor. Não cabe nada lá, mesmo rebatendo o banco.

 

 

Amanhã é um grande dia!

Um passo importante para a matrícula da Leopoldina na Áustria é a vistoria, a ser realizada por um órgão público, o MA46. O nome do lugar que eu irei levar a Brasilia amanhã as 10:00 chama-se Landesfahrzeugprüfstelle, relativamente perto de casa.

Comigo irá o Sr. Gross, que é o especialista em carros antigos que me acompanha na parte burocrática. Eu nao sei muito o que esperar de amanhã, mas a presença do Sr. Gross vai contribuir para que as coisas funcionem de forma adequada.

O único receio que eu tenho é em relação aos aros do carro. Estes nao sao originais, e se o povo lá for exigente (e chato), eles vão encrencar comigo. A chance existe, mas torço que não ocorram problemas.

Em breve, portanto, mais novidades!

Diário de bordo

 

 

Na Áustria, quando se cadastra um carro como um carro antigo (placa preta no Brasil), existem alguns direitos e outros deveres. Nos direitos estão vistoria a cada 2 anos ao invés de anual, valores reduzidos de imposto e seguro obrigatório e menos rigor na vistoria, naquilo que se refere a valores de combustão, etc.

Os deveres são: usar o carro no máximo 120 dias por ano e comprovar isso mantendo um diário de bordo. A cada vez que eu usar o carro, devo escrever o odômetro no início, odômetro no fim, destino e data.

Eu também uso o diário para escrever as manutençoes executadas e os custos. Assim posso controlar e futuramente consultar quando foi a última vez que fiz determinado serviço. Assim também posso controlar os gastos.

O livrinho fica na Leopoldina, no porta-luvas.
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Klaus Wagner

Viena, Áustria

http://www.wagnerk.com
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