Infância

Uma criança, ao crescer, vai dia a dia refinando o seu gosto e os sonhos. Conforme o tempo vai passando, aflora o gosto por um tipo de música, por um esporte, círculo de amizades, passatempos… Isso faz parte da personalidade do indivíduo.

Eu cresci numa casa onde pude aprender muita coisa sobre os mais diversos assuntos. Meus pais, pelo seu trabalho, sempre tiveram todo o tipo de ferramentas e matéria prima em casa. Madeira, martelo, prego, parafuso, tinta, argila, pincél, etc. Além disso, tive pais que sempre incentivaram o fazer o que quer com as próprias mãos. Isso permitiu que eu, incentivado por eles, aprendesse como se monta um computador, como se desenha no computador, como se faz páginas na internet e muitas outras coisas.

Claro, eu como criança, algumas vezes não gostava de iniciar esses „projetos“ de aprendizado. Na época preferiria ter ganhado um computador inteiro ao invés de ter que montá-lo peça a peça. Na época preferia jogar Need for Speed 3 ou Fifa 99 do que ficar programando no Dreamweaver 3. Hoje dou muito valor por ter aprendido o que aprendi e entendo meus pais e seus incentivos.

Meu pai, como sempre foi de inventar e fazer coisas sozinho ao invés de comprar pronto, muitas vezes me chamava pra ficar de olho no que era feito. As vezes ajudava buscando ferramenta que ele precisava.

Fizemos, quando criança, brinquedos para mim, como por exemplo um teleférico motorizado. Usamos madeira, elastico, durepox e uma peça de uma boneca (quebrada) que se mexia da minha irmã. Esta peça era a relação pra reduzir a velocidade do motor e aumentar a força do teleférico. Lembro-me também de ele chegar pra mim e dizer: você ganha um laguinho com peixes no jardim se descobrir uma forma de oxigenar a água (sem gerar custos extras, variáveis, como por exemplo um borbulhador). Sem idéia de como fazer isso, ele me deu pistas, como por exemplo tirar a energia do vento. Fiz alguns esboços de um cata-vento usando pá de ventilador… nada muito genial, mas ok para alguém com 10 anos que não tinha a mínima idéia de engenharia mecânica. Por mim meu pai construiu um catavento junto comigo. Para as pás foi utilizado chapa de aço galvanizado. O rolamento foram 2 de aspirador de pó. Prendemos o catavento perto da piscina e ele ficou lá por um tempo em funcionamento… O laguinho nunca foi feito, mas também não fez falta.

Nós íamos com frequência do Rio para o Sul. Uma viagem longa, de carro… Era um dia inteiro no carro. No inverno, um frio danado numa Ford Belina 89/90 sem ar quente.  Com meu pai, se há problema, busca-se a solução: com um radiador velho, uma lata de metal de querosene (grande) uns tubos de borracha e um registro resolve-se o problema.  A Belina ganhou o ar quente.

Também fiz coisas sozinho. Brinquedos em madeira pros meus bonecos de Comandos em Ação, por exemplo. Carrinhos de madeira, carrinhos de montar da Revell… Foram muitas coisas, muitas delas eu nem lembro mais.

Enquanto crescia, os desafios ficavam maiores. Foi bem legal, por exemplo, ter primeiramente aprendido com o tio Volker como se mexe com fibra de vidro, e depois ter aplicado o conhecimento no caiaque que colocamos um motor de roçadeira. Meu pai mandou o torneiro mecânico fazer as peças para encaixar a hélice, desenhamos e fizemos a hélice e testamos na piscina, fomos na loja auto-peça comprar um retentor que coubesse (no caso, me lembro que foi de um corcel). Fizemos uma quilha no caiaque de fibra, instalamos o motor lá e fomos testar em Cabo Frio. Foi legal, o sistema tinha potencial para melhorar. Não deu tempo.

Também com fibra, tubos e chapas de cobre, vi meu pai fazer o aquecimento solar de água da casa e depois da piscina. Um sucesso total o sistema que ele fez. Ter uma piscina com 33°C de temperatura em Friburgo é algo impagável.

Fundamental também foi e é a minha relação com bicicletas. Conta minha mãe, que mal aprendi a andar e já andava de bicicletinha sem rodinhas de ajuda. Foi legal também a minha Caloi Cross. Colocamos uma catraca com 6 marchas usando um câmbio Huret (eu acho) que meu pai trouxe da Áustria quando jovem.

Em torno dos 13/14 anos eu ganhei uma bicicleta, de gente grande, uma Caloi 100. Foi com ela que fiz minhas primeiras trilhas. Depois de vendê-la e comprar a Mongoose (e andar por toda a região), foi necessário consertar a bicicleta. Limpar as peças, regular marcha, freio, eixos, correntes. Os primeiros contatos com a graxa. A minha Mongoose estava sempre super bem regulada. Rodava quase que sozinha, solta porém justa.

Como consequência de gostar de bicicletas, passei aos 17/18 anos a andar de moto. Uma Honda XLX 350 de 1987. Foi nela que eu fiz a minha primeira troca de óleo (desastrada). Botei óleo demais, pelo menos não estraguei a rosca do bujão.

Esse texto é para dar uma introdução a minha vida até a passagem da infância pra maturidade, que coincidiu com uma passagem de avião, dia 02/02/2005.

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Klaus Wagner

Viena, Áustria

http://www.wagnerk.com
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