Archiv für Mai 2014

Tonella

Uma grande fonte de conhecimento para quem gosta de mexer em carro ou está querendo aprender é assistir vídeos no YouTube. Referência nesse aspecto é o Marcelo Tonella, brasileiro do interior de São Paulo que tem um Fusquinha 1500 1971 já a bastante tempo e todo trabalho que é feito em seu fusca, sua filha filma o trabalho. Ele consegue de forma bastante didática explicar passo a passo, com bastante calma e detalhes técnicos. É uma pessoa muito generosa por se dedicar  a fazer os vídeos e expor seu conhecimento na internet.

Aqui está o link do seu canal, e a seguir uma playlist da sua nova série, em que ele pegou um fusca bastante ferrado de um amigo e está fazendo todo o trabalho de retífica do motor. Aguardo ansiosamente o caminhar deste projeto 🙂

Valeu, Tonella, por sua dedicação!

Garagem da Leopoldina

Enquanto não chega o dia da viagem, os preparativos correm solto. Uma coisa é obrigatória quando se tem um carro antigo: uma garagem.

Algo raro em Viena é se ter uma garagem. Por sorte e ajuda de vizinhos conseguimos uma no prédio onde moro. Essa garagem não é para carros grandes, mas tem bastante espaço, ideal para uma pequena oficina.

Antes de se tornar essa pequena oficina. era necessário investir um pouco de tempo e dinheiro para pintar as paredes de branco, limpá-la e colocar lâmpadas mais fortes, além de uma tomada melhor posicionada. Duas semanas de trabalho foram necessárias para o resultado final. Hoje as motos, amanhã a Leopoldina!

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Este vermelho ao redor é uma borracha para evitar arranhoes eventuais na hora de manobrar:

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Leopoldina em Murtosa

Enquanto a Leopoldina esperava o aviso do Rui de que a oficina estaria disponível, ela ficou na casa do Domingos em Murtosa trocando idéia com o Azeitona.

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Finalmente… Leopoldina!

Segunda-feira, 31 de março de 2014, Albergaria-a-Velha, Portugal

O Rui, mecânico de confiança do Domingos, havia nos passado a informação de que a Brasilia estava num stand a venda. Até aí, só alegria. Procuramos o nome do stand na internet. Achamos e fomos ao lugar…. o problema, havíamos entendido errado. Chegando lá, no stand errado, nada de Brasilia, nada de Rui. Ligamos denovo, e o diálogo foi mais ou menos esse:

 

 

Tiago: – Rui, estamos aqui no stand X (esqueci o nome)

Rui: – Tiago, não é aí. O carro está na Emiauto, na reta da Albgria!

T: – Na reta da Alegria? Que número?

R: – Não, na reta da Albgria!

T: – Então, Alegria!

R: – Não, da Albgria!

T: – Ah tá. Bom… Vou ver se a gente acha aqui.

R: – Tá bem, tá bem, tá bem.

Enquanto isso, eu procurando a maldita Rua da Alegria em algum lugar em Portugal no GPS. Infelizmente não era na reta da Alegria. O que estava querendo ser dito era que a venda de automóveis ficava na estrada Nacional 1, chegando em Albergaria-a-Velha (Albgria segundo os portugueses).

Enfim, depois de perguntar nas ruas achamos a Emiauto:

Emiauto

 

Lá achamos a Leopoldina e o Sr. Valdemar, o vendedor. A primeira impressão: p*** q** p****! Tem que ser essa! Linda, vinho metálico, brilhando. Deveria estar um tempinho – talvez um ano – a venda. E na minha opinião só não foi vendida porque não havia anúncio na internet dela. O Sr. Valdemar é um senhor tranquilo, que deve passar o dia em seu escritório fumando, esperando os 2 clientes que vão procurar carros por lá diariamente. Ele nos tratou bastante bem, e foi o tempo todo justo e correto, algo nem sempre comum para vendedores de carros.

A primeira coisa que fiz foi verificar o carro por fora. Procurei sinal de ferrugem e batidas. Não achei nada grave. O carro parecia ter sido pintado com capricho, tiveram cuidado com as etiquetas ainda originais. As rodas, crumadas, não são originais, mas parecem ser da época ou pelo menos combinam com o carro. Frisos cromados decoram as janelas, capô, e friso sob a porta. Na traseira um P cromado de „Portugal“. O interior está impecável. O painel foi em parte pintado de preto, mas está bonito também. O odômetro mostra 41.000 km, o que pode significar 41.000, 141.000, 241.000 ou nenhuma das alternativas acima. Não quer dizer nada mesmo. Mecanicamente uma coisa me incomodou: o motor. Ele não tinha um aspecto bom: vazamento de óleo (pingado no chão – o que quer dizer duas coisas: a primeira é que está vazando, e a segunda é que tem óleo dentro: um bom sinal). O bloco do motor também foi pintado na cor do carro, desnecessário, mas demonstra que foi restaurado com capricho. Quem o restaurou não poupou recursos.

O motor, ao colocar uma bateria extra, ligou na segunda tentativa. Na queima saiu uma fumacinha cinza. Isso pode acontecer com motores boxer sem significar muita coisa grave. Os cilindros ficam deitados, e por ter ficado parado um tempo, pode ter minado óleo pelos anéis. A marcha lenta do carro ficou estável, um som bonito. O motor significava para mim que poderia gerar gastos extras, mas por outro lado era ali que iria argumentar uma oferta abaixo do que estava sendo cobrado: €7.500. E foi o que fiz: ofertei com total sinceridade o que eu achava um valor justo pro carro; €5.000. O Sr. Valdemar fez cara de que não gostou, a impressão que ficou foi que eu acertei o valor mínimo que ele aceitaria em um negócio, ou seja, ele fecharia por €5.000, mas tentaria tirar o que dava. A contra-oferta dele foi €6.000. Falei que tinha uma outra Brasilia em vista por €3.000-€3.500, e o Rui confirmou a informação. Fiz uma última oferta: caso ele faça a vistoria pendente (inspeção), pagaria €5.200, mas esta era minha última oferta. Era pegar ou largar, pois estavamos indo embora naquele dia de volta pra Viena. E ele aceitou! A Leopoldina era nossa!

Assim que fechei negócio, mandei uma foto pra Lígia. Imediatamente ela adotou a Leopoldina pra família.

Acertamos os detalhes da transferência: o carro ficaria no nome do Tiago, que como português, simplificaria tudo. Em outras palavras, o Tiago seria o marido, e eu o amante. A Leopoldina estaria esperando o visto para tirar o passaporte austríaco e poder morar em Viena.

Aqui as fotos da primeira vista:

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Detalhe para a altura do carro:

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O „I“ típico na frente, ainda bem conservado

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Estofamento parece ser original. O encosto de cabeça era item que para esse ano não tinha no Brasil, mas por ser presente em muitas Brasilias portuguesas disconfio que se trate de um opcional para os veículos com qualidade de exportação:

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Óleo pingado no chão:

 

 

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Vendo assim, nada alarmante no motor, mas os pingos e a fumaça poderiam significar o contrário:

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O próximo passo seria esperar o Domingos, ainda no Brasil, retornar a Portugal. Não tenho palavras pra agradecer o carinho que ele tem tido comigo, em tomar conta do carro, testá-lo e levá-lo pro mecânico, etc. Realmente incrível. Não é todo dia que se encontra pessoas com tal boa vontade. Espero poder retribuir ou demonstrar de alguma forma minha gratidão.

O Domingos, ao chegar em Portugal, foi quase que imediatamente ver e pegar o carro. Ele fez o seguro,  o Sr. Valdemar já havia feito, conforme combinado, a vistoria (inspeção) e era só pagar o que faltava e levar o carro para casa.

Assim foi feito. Domingos levou o carro para casa em Murtosa e ficou no aguardo do Rui para poder levá-lo para a oficina. Enquanto o Rui não ligava, ficaram a Leopoldina e o Azeitona (tema pra outro post) trocando idéia na garagem. Fantástico!

 

A busca da Leopoldina

O passo mais difícil a ser feito para ter um carro antigo é definitivamente achar o carro antigo. Muitas vezes é uma questão de preço, mas mesmo assim é necessário ter olhos abertos e um pouco de sorte. No meu caso específico pesou muito mais a sorte do que qualquer outro fator, e motivo é fácil de se compreender.

No total foram cerca de 1 milhão de Brasilias produzidas no mundo (Brasil+México) em 10 anos. Deste 1 milhão, cerca de 100.000 foram exportadas para América Latina, Ásia, África e Portugal. Digamos que em 10 anos chegaram a Portugal 30.000 Brasílias. O número exato eu ainda não sei, mas vou procurar saber. Desses 30.000 veículos, quantos resistiram ao tempo? 1000? 2000? Destes 1000, 2000, quantos foram conservados e restaurados? 100, 200? Destes 100, 200… quantos estão a venda? E destes poucos que estão a venda, qual a probabilidade de um destes ser realmente são um bom negócio em relação ao preço? Certamente muito pequena. Como falei, precisaria de bastante sorte.

Além das férias e conhecer um lugar novo, a viagem a Portugal em março foi também a primeira possibilidade de se achar um carro deste. Pela internet não foi possível achar muitas opçoes, mesmo procurando pelos melhores portais de busca portugueses: http://www.olx.pt; http://www.custojusto.pt; http://www.trovit.pt. Além de ter olhado regularmente fóruns de „carochas“ por possibilidades. Levei sempre a consideração de procurar por Brasilia e por BraZilia, erro de grafia comum por vendedores de Portugal.

Antes de ir a Portugal em março, fiz contato telefônico e por e-mail com alguns proprietários. Os anúncios/fotos, são estes:

Verkaufe - VW Brasília 1980, EUR 8

Esta Brasilia certamente já foi restaurada. Apesar de estar aparentemente em bom estado, acho que o valor cobrado está acima do que seria por mim considerado um bom negócio. Estava localizada em Lisboa.

vw brasilia 1

Esta aqui também estava bonita. Já havia sido repintada também, já que a cor preta nao existe originalmente para este ano. O interior também foi reformado, o estofado foi refeito ou reencapado. Essa aqui seria um excelente negócio, pois além de bonita, estava sendo vendida por €3.800. Ela estava em Mafra. O problema dela? Já havia sido vendida a um belga.

Outra possibilidade, seria essa aqui:

Brazilia_campolindo

Essa estava sendo vendida no Porto e pelas fotos parecia ser uma possibilidade. Fui a Portugal decidido a ir ver este carro. O contato telefônico foi OK, respostas rápidas por e-mail. O que se viu do carro, foi um carro parado a mais de 7 anos no mesmo lugar. O estado não era ruim, a lataria estava boa, precisando um banho de tinta porém nenhuma ferrugem. O interior era original. Porém seria necessário uma reforma profunda. A parte mecânica estava precária. Certamente teria que desmontar o carro e montar do zero denovo, restaurando ou trocando todas as peças uma a uma. Estava também muito sujo…. Enfim, quem quer vender um carro assim, tem que estar disposto a negociar um valor bem abaixo. Ou tem que dar uma maquiada antes de pensar em vender. Não foi isso que foi feito. Apesar de ter ofertado um valor muito bom, considerando o estado do carro (€3.000), não foi aceito. Voltaram com €4.500. Sem chance.

Nessa visita ao carro do Porto, o mecânico foi conosco (Klaus + Tiago). A opinião dele foi importante e a solução dele ainda melhor. Ele disse:

Conheço um Brasilia na região, faz tempo que não vejo, mas vou fazer alguns telefonemas. Eu retorno quando souber de alguma coisa.

Dia seguinte liga ele:

O gajo está interessado a vender o carro. O carro está exposto em num stand lá em Albergaria-a-Velha. (15 km de Murtosa).

Combinamos que na segunda-feira, 31.03.2014, iríamos ver o carro. O Rui disse que estavam pedindo €6.000. Um carro com procedência, porém no fim-de-semana eu não tinha qualquer outra informação sobre o carro. Contando os minutos para a segunda-feira. O primeiro encontro com a Leopoldina é tema para outro post.

Clássicos Nacionais – Jornal Extra

Já que no post anterior falei de miniaturas, aqui está a minha coleção preferida: a dos carrinhos do extra. São 36 carrinhos que foram importantes para a história automobilistica brasileira, divididas em três partes.

A primeira é esta aqui:

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A segunda:

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E a terceira:

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Claro que a minha miniatura preferida é:

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Aqui em casa a coleçäo fica assim:

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Hot Wheels

Brinquei muito de Hot Wheels com meu primo Felipe. Nós tinhamos muitos carrinhos e cada um um tanto de pistas para montar e brincar com eles.

Fascinante foi quando, aqui em Viena em 2011, eu achei essa coisinha aqui em uma loja:

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Tinha essa cor e também em verde. Comprei uma de cada. A azul está comigo, a verde eu dei pro Felipe. Sei que a Hot Wheels ainda fez outros carros nacionais, como o SP2, mas nada tão fascinante como a VW Brasilia.

Infância

Uma criança, ao crescer, vai dia a dia refinando o seu gosto e os sonhos. Conforme o tempo vai passando, aflora o gosto por um tipo de música, por um esporte, círculo de amizades, passatempos… Isso faz parte da personalidade do indivíduo.

Eu cresci numa casa onde pude aprender muita coisa sobre os mais diversos assuntos. Meus pais, pelo seu trabalho, sempre tiveram todo o tipo de ferramentas e matéria prima em casa. Madeira, martelo, prego, parafuso, tinta, argila, pincél, etc. Além disso, tive pais que sempre incentivaram o fazer o que quer com as próprias mãos. Isso permitiu que eu, incentivado por eles, aprendesse como se monta um computador, como se desenha no computador, como se faz páginas na internet e muitas outras coisas.

Claro, eu como criança, algumas vezes não gostava de iniciar esses „projetos“ de aprendizado. Na época preferiria ter ganhado um computador inteiro ao invés de ter que montá-lo peça a peça. Na época preferia jogar Need for Speed 3 ou Fifa 99 do que ficar programando no Dreamweaver 3. Hoje dou muito valor por ter aprendido o que aprendi e entendo meus pais e seus incentivos.

Meu pai, como sempre foi de inventar e fazer coisas sozinho ao invés de comprar pronto, muitas vezes me chamava pra ficar de olho no que era feito. As vezes ajudava buscando ferramenta que ele precisava.

Fizemos, quando criança, brinquedos para mim, como por exemplo um teleférico motorizado. Usamos madeira, elastico, durepox e uma peça de uma boneca (quebrada) que se mexia da minha irmã. Esta peça era a relação pra reduzir a velocidade do motor e aumentar a força do teleférico. Lembro-me também de ele chegar pra mim e dizer: você ganha um laguinho com peixes no jardim se descobrir uma forma de oxigenar a água (sem gerar custos extras, variáveis, como por exemplo um borbulhador). Sem idéia de como fazer isso, ele me deu pistas, como por exemplo tirar a energia do vento. Fiz alguns esboços de um cata-vento usando pá de ventilador… nada muito genial, mas ok para alguém com 10 anos que não tinha a mínima idéia de engenharia mecânica. Por mim meu pai construiu um catavento junto comigo. Para as pás foi utilizado chapa de aço galvanizado. O rolamento foram 2 de aspirador de pó. Prendemos o catavento perto da piscina e ele ficou lá por um tempo em funcionamento… O laguinho nunca foi feito, mas também não fez falta.

Nós íamos com frequência do Rio para o Sul. Uma viagem longa, de carro… Era um dia inteiro no carro. No inverno, um frio danado numa Ford Belina 89/90 sem ar quente.  Com meu pai, se há problema, busca-se a solução: com um radiador velho, uma lata de metal de querosene (grande) uns tubos de borracha e um registro resolve-se o problema.  A Belina ganhou o ar quente.

Também fiz coisas sozinho. Brinquedos em madeira pros meus bonecos de Comandos em Ação, por exemplo. Carrinhos de madeira, carrinhos de montar da Revell… Foram muitas coisas, muitas delas eu nem lembro mais.

Enquanto crescia, os desafios ficavam maiores. Foi bem legal, por exemplo, ter primeiramente aprendido com o tio Volker como se mexe com fibra de vidro, e depois ter aplicado o conhecimento no caiaque que colocamos um motor de roçadeira. Meu pai mandou o torneiro mecânico fazer as peças para encaixar a hélice, desenhamos e fizemos a hélice e testamos na piscina, fomos na loja auto-peça comprar um retentor que coubesse (no caso, me lembro que foi de um corcel). Fizemos uma quilha no caiaque de fibra, instalamos o motor lá e fomos testar em Cabo Frio. Foi legal, o sistema tinha potencial para melhorar. Não deu tempo.

Também com fibra, tubos e chapas de cobre, vi meu pai fazer o aquecimento solar de água da casa e depois da piscina. Um sucesso total o sistema que ele fez. Ter uma piscina com 33°C de temperatura em Friburgo é algo impagável.

Fundamental também foi e é a minha relação com bicicletas. Conta minha mãe, que mal aprendi a andar e já andava de bicicletinha sem rodinhas de ajuda. Foi legal também a minha Caloi Cross. Colocamos uma catraca com 6 marchas usando um câmbio Huret (eu acho) que meu pai trouxe da Áustria quando jovem.

Em torno dos 13/14 anos eu ganhei uma bicicleta, de gente grande, uma Caloi 100. Foi com ela que fiz minhas primeiras trilhas. Depois de vendê-la e comprar a Mongoose (e andar por toda a região), foi necessário consertar a bicicleta. Limpar as peças, regular marcha, freio, eixos, correntes. Os primeiros contatos com a graxa. A minha Mongoose estava sempre super bem regulada. Rodava quase que sozinha, solta porém justa.

Como consequência de gostar de bicicletas, passei aos 17/18 anos a andar de moto. Uma Honda XLX 350 de 1987. Foi nela que eu fiz a minha primeira troca de óleo (desastrada). Botei óleo demais, pelo menos não estraguei a rosca do bujão.

Esse texto é para dar uma introdução a minha vida até a passagem da infância pra maturidade, que coincidiu com uma passagem de avião, dia 02/02/2005.

Porque VW Brasilia?

„Cara, você é doido. Comprar um carro velho, ainda mais uma Brasilia aí em Viena. Porque?“

Porque eu gosto.

 

Não há explicação razoável para uma escolha do coração, mas existem fatos que reforçam esse gostar e acabam deixando tudo mais interessante. Acho legal que a Brasilia foi desenhada, projetada e construída no Brasil. Um carro inovador (o primeiro „hatch“ da VW, talvez um dos primeiros no mundo – tema para outro post), um grande passo de desenvolvimento para a VW sair da era Fusca para outro „design“. E isso tudo numa época em que o Brasil estava bastante fechado para importaçoes de materiais e tecnologia externa.

Acho também muito legal a Brasilia usar, em grande parte, peças de Fusca. Isso fez da Brasilia um sucesso imediato no Brasil. Um carro robusto, com o confiável e charmoso motor refrigerado a ar da VW.

Do ponto de vista pessoal, é interessante também que meu avô Ludwig Wagner tenha comprado no Rio de Janeiro uma Brasilia 1976 marrom caramelo (tema para outro post). Ele comprou o carro zero km, sem nunca ter passado pela cabeça que seu neto iria algum dia passear com um carro igual em sua cidade natal.

Outro fator que pesou bastante, foi o fato de eu gostar de trabalhar com as mãos. Ligar o cérebro à mente liberta a alma. Seja bicicleta, moto, relógio cuco, reforma de apartamento, restaurar e reformar é para mim um excelente passatempo e diversão. O (bom) resultado é só uma parte da recompensa do esforço. Já se trabalha tanto pro rendimento de outros, o trabalho quando é pra si mesmo, é bem mais gratificante.

Leopoldina

Em Setembro de 2013, após uma pesquisa aleatória na internet sobre carros importantes da história automotiva brasileira, eu cheguei a uma conclusão: a realização de um sonho antigo antes impossível, não seria tão impossível assim.

Ao ler o artigo do Wikipedia sobre o VW Brasilia, descobri que a VW Brasilia fora exportada para alguns países, como alguns países da América Latina (chegou a ser montada no México), Nigéria, Filipinas e… Portugal. Liguei os pontos: Portugal é um país que faz parte da União Européia. A dificuldade burocrática e de custos para se trazer um carro antigo do Brasil para Viena reduziu drasticamente. Pela distância, não se trata uma tarefa simples. Mas aquilo que era impossível se torna palpável. Bastava conhecer as pessoas corretas, pesquisar um pouco e claro, um pouco de sorte. E o que eu não posso reclamar é de falta de sorte e de falta de pessoas queridas que apoiam a idéia maluca de achar, comprar e trazer um carro velho pra Viena.

Este blog vai servir como um diário. Aqui vou contando os capítulos dessa novela, que não tem prazo para acabar.

Fica aqui o meu agradecimento a todos que estão nessa parada: minha querida esposa que está sempre do meu lado; meus pais e família que além de todo o apoio, estão trazendo um monte de trecos do Brasil; um agradecimento especial pro Tiago, Domingos e família, que aceleraram todo o processo; um muito obrigado também ao mecânico Rui.

Que venha a Leopoldina!


Klaus Wagner

Viena, Áustria

http://www.wagnerk.com